A apresentação do espetáculo “Natal Invisível” marcou, na última semana, o encerramento da 2ª edição do projeto Periferia em Cena, reunindo cerca de 80 pessoas, entre moradores da comunidade Monte das Oliveiras e convidados, no Centro Pastoral Ir. Josélia, na zona norte de Manaus.

Foto: Divulgação
Resultado do processo formativo desenvolvido ao longo de oficinas de teatro, o espetáculo contou com a participação direta de 25 alunos e alunas do projeto, que subiram ao palco para apresentar uma montagem natalina potente, sensível e crítica. A encenação propôs uma reflexão sobre a apropriação capitalista do Natal, questionando o consumo excessivo, a exclusão social e a invisibilização de milhares de pessoas que não têm acesso ao cuidado, à dignidade e à partilha — valores que simbolicamente representam a data.
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A dramaturgia foi construída a partir das vivências, memórias e percepções dos próprios participantes, dando voz às realidades das periferias urbanas e convidando o público a refletir sobre desigualdade, solidariedade e humanidade. O espetáculo emocionou a plateia ao transformar o Natal em um espaço de denúncia, mas também de esperança e resistência.

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O Periferia em Cena está em sua segunda edição e tem como foco a formação de atores e atrizes nas periferias de Manaus, promovendo oficinas gratuitas de teatro para jovens e adultos. Ao longo do processo, os participantes recebem formação artística e também atuam em diferentes frentes do fazer teatral, como produção, figurino, maquiagem e sonoplastia, fortalecendo uma proposta de formação coletiva e integral.

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Um dos destaques desta edição foi o caráter inclusivo do projeto, que contou com a participação da aluna surda Emanuelly Victoria do Carmo Felisardo, moradora da comunidade, e da jovem intérprete de Libras Sarah Vitoria, que também é surda. A presença das duas reforçou o compromisso do projeto com a acessibilidade, a diversidade e o direito de todas as pessoas à expressão artística.
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Para a diretora geral do projeto, Francy Junior, o encerramento foi marcado por um balanço extremamente positivo:
“Encerrar essa segunda edição com um espetáculo criado coletivamente, com a comunidade presente e com um público tão atento e sensível, é a prova de que a arte feita na periferia tem força, qualidade e sentido. O Periferia em Cena não é só sobre formar artistas, é sobre formar pessoas, fortalecer vínculos e criar espaços onde nossas vozes possam existir com dignidade.”

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A apresentação de Natal Invisível reafirmou o papel da arte como ferramenta de transformação social e consolidou o Periferia em Cena como uma iniciativa que valoriza os territórios periféricos como espaços legítimos de criação, pensamento crítico e produção cultural.