Durante muito tempo, o cinema foi compreendido como uma arte essencialmente visual. Mas em Manaus, um grupo de 14 pessoas cegas e com baixa visão decidiu desafiar essa ideia e provar que histórias também podem ser construídas a partir dos sons, das emoções, das memórias e da forma como cada pessoa percebe o mundo.

Foto: Divulgação
O resultado dessa experiência poderá ser conhecido pelo público no dia 11 de junho, a partir das 19h, no Teatro Gebes Medeiros, durante a Mostra de Resultados do projeto Vozes Visuais. Com entrada gratuita, o evento apresentará seis curtas-metragens produzidos pelos próprios alunos ao longo de uma oficina de audiovisual acessível realizada na Biblioteca Braille do Amazonas.
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Mais do que assistir a filmes, o público será convidado a conhecer novas formas de fazer cinema. Os curtas exibidos foram roteirizados, dirigidos, filmados e editados pelos participantes da oficina, que vivenciaram todas as etapas de uma produção audiovisual. O processo criativo partiu de experiências pessoais, lembranças, percepções sonoras e narrativas construídas a partir da escuta e da imaginação.

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Após a exibição dos filmes, haverá uma roda de conversa com os realizadores, permitindo que o público conheça os bastidores da produção e as descobertas que surgiram ao longo da formação. Idealizado pela produtora cultural Keylla Gomes, o Vozes Visuais nasceu da experiência acumulada em projetos de inclusão cultural desenvolvidos na capital amazonense.
Ao longo dos últimos anos, Keylla coordenou iniciativas voltadas para pessoas com deficiência, especialmente oficinas de teatro e cinema para a comunidade surda, ampliando o acesso à formação artística e à produção cultural. Agora, o desafio foi abrir caminhos para que pessoas cegas e com baixa visão também pudessem ocupar o lugar de criadoras dentro do audiovisual.
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“Durante muito tempo ouvimos que o cinema pertence ao universo da imagem. Mas quando convivemos com pessoas cegas percebemos que existem outras formas de perceber e interpretar o mundo. O Vozes Visuais nasce dessa vontade de ampliar possibilidades e garantir que essas pessoas também possam contar suas histórias através da arte. O que vimos durante a oficina foi emocionante: alunos descobrindo novas habilidades, fortalecendo sua autoestima e percebendo que também podem dirigir, criar e realizar filmes. Isso transforma vidas e transforma a maneira como a sociedade enxerga a deficiência”, destaca Keylla Gomes.
Realizada com o apoio da Biblioteca Braille do Amazonas, a oficina se transformou em um espaço de encontro, troca de experiências e experimentação artística. Durante as atividades, os participantes exploraram técnicas de roteiro, gravação, direção e edição, sempre por meio de metodologias acessíveis e adaptadas às diferentes formas de percepção dos alunos.
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O projeto também propõe uma reflexão importante sobre acessibilidade cultural. Em um país onde pessoas com deficiência ainda enfrentam inúmeras barreiras para acessar espaços de formação e produção artística, o Vozes Visuais demonstra que inclusão não significa apenas garantir acesso ao consumo cultural, mas também assegurar o direito à criação, à autoria e ao protagonismo.
Ao colocar pessoas cegas atrás das câmeras e à frente de suas próprias narrativas, o projeto amplia horizontes e desafia estereótipos. Mais do que produzir filmes, seus participantes ajudam a construir um audiovisual mais diverso, mais sensível e mais representativo.

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Na noite da mostra, os espectadores terão a oportunidade de conhecer histórias contadas por quem aprendeu a enxergar o cinema para além da imagem. Histórias que revelam que a arte não depende apenas do olhar, mas da capacidade humana de sentir, imaginar e compartilhar experiências.
Serviço Mostra de Resultados
Projeto Vozes Visuais Data: 11 de junho
Horário: 19h
Local: Teatro Gebes Medeiros
Endereço: Avenida Eduardo Ribeiro, Centro de Manaus
Entrada gratuita

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Sobre o projeto
Vozes Visuais é um projeto contemplado pela Lei Paulo Gustavo, através do CONEC Amazonas, Secretaria de Cultura e Economia Criativa e Governo do Amazonas, Ministério da Cultura e Governo Federal. Tem o apoio da Biblioteca Braille do Amazonas e é uma realização da Mk Produções.