O município de Anori, no interior do Amazonas, recebeu mais uma etapa do Amazônia das Palavras – Quarta Edição, projeto que percorre cidades da região levando oficinas literárias e atividades culturais gratuitas para estudantes da rede pública. Desta vez, o destaque da programação foi a oficina A Palavra Animada, conduzida pelos animadores e pesquisadores Eliane Gordeeff e Cláudio Roberto, que apresentou aos alunos possibilidades criativas do cinema de animação como ferramenta de expressão, leitura e construção de narrativas.

Foto: divulgação
Situada a cerca de 234 quilômetros de Manaus, Anori carrega em seu próprio nome marcas da herança indígena amazônica. O termo deriva do Nheengatu “Uanuri” ou “Wanury”, expressão associada ao tracajá macho, animal comum na região. Com forte identidade ribeirinha, a cidade mantém uma relação cotidiana com os rios e com os saberes tradicionais da Amazônia.
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Ao longo do dia, estudantes participaram de oficinas voltadas à produção de texto, cinema, música, slam, moda, animação e literatura, em uma programação que busca aproximar educação, arte e identidade amazônica dentro do ambiente escolar.
Imagens que contam histórias
A oficina A Palavra Animada propôs aos alunos uma introdução ao universo da animação, abordando desde a origem do desenho animado até exercícios de criação de filmes e noções de storyboard. Mais do que apresentar técnicas audiovisuais, a proposta buscou estimular os estudantes a criarem histórias a partir das próprias vivências.
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Eliane Gordeeff é animadora, produtora, professora e pesquisadora de animação. Doutora em Belas Artes pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, atua há mais de duas décadas no audiovisual, com produções exibidas em festivais internacionais. Já Cláudio Roberto, ilustrador e animador carioca, construiu trajetória no jornalismo e no cinema de animação, com trabalhos premiados no Brasil e no exterior.
Para os oficineiros, a animação funciona como uma ponte entre palavra, imagem e imaginação. “A animação é uma ferramenta muito importante para contar histórias porque ela desperta ideias. Quando o aluno começa a criar imagens, automaticamente começa também a pensar narrativas, personagens e experiências ligadas à própria realidade”, afirmam.
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Segundo eles, a linguagem da animação também aproxima os estudantes da leitura e da interpretação crítica. “As palavras também são imagens. Existe uma relação permanente entre aquilo que a gente lê, imagina e transforma visualmente. A animação facilita muito esse processo porque trabalha justamente essa troca entre palavra e imagem”, destacam.
Os artistas ressaltam ainda a importância de levar esse tipo de formação para regiões mais afastadas dos grandes centros culturais. “Trazer animação para lugares onde muitas vezes o acesso é limitado é uma forma de contribuir para que esses jovens descubram novas possibilidades de criação. A gente espera que algumas dessas sementes floresçam no futuro e que surjam daqui futuros animadores capazes de contar as histórias da própria Amazônia”, afirmam.
Novas possibilidades dentro da escola
Entre os estudantes, a oficina despertou curiosidade e interesse por áreas até então pouco acessíveis dentro da rotina escolar. O aluno Fernando destacou a experiência de aprender novas formas de criação a partir das imagens. “Eu estou aprendendo coisas que nem sabia que dava para fazer só com imagens. Está sendo uma experiência muito legal. Essas oficinas ajudam a gente a sair um pouco das aulas mais básicas e aprender de uma forma mais criativa”, relata.
Já Mirella Ramos, de 16 anos, afirmou que a atividade reforçou ainda mais o interesse que já possui pela arte. “Eu gostei muito da parte artística da oficina, porque é algo que eu quero seguir. Acho importante ter esse tipo de atividade nas escolas porque ajuda os alunos a pensarem no futuro e também traz um momento diferente dentro da rotina”, diz.
Para a diretora da escola, Gerliana Oliveira, a presença do projeto amplia horizontes e oferece aos estudantes experiências que muitas vezes não chegam ao cotidiano educacional do interior amazônico. “O Amazônia das Palavras aproxima os alunos de linguagens artísticas importantes e mostra que a escola também pode ser um espaço de criação, imaginação e descoberta de talentos. Além disso, as doações de livros fortalecem nosso acervo e incentivam ainda mais o contato dos estudantes com a leitura”, destaca a diretora da unidade, em fala atribuída pela coordenação do projeto.

Foto: Divulgação
Cultura e comunidade
Além das oficinas realizadas durante o dia, o projeto também promove programação cultural gratuita e aberta à população no período da noite. Em Anori, as atividades reuniram apresentações culturais, exibição audiovisual, doação de livros para a biblioteca da escola e o espetáculo circense “Silêncio Total – Vem Chegando um Palhaço”, com Luiz Carlos Vasconcelos interpretando o Palhaço Xuxu.
Após a passagem por Anori, o Amazônia das Palavras segue para os municípios de Anamã, Manacapuru, Iranduba e Manaus, mantendo a proposta de levar literatura, arte e formação cultural para diferentes regiões do Amazonas.
O Amazônia das Palavras – Quarta Edição é um projeto patrocinado pela TAG, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura; apoio da Cigás; promoção da Fundação Rede Amazônica. Realização da Associação Mapinguari, Ministério da Cultura e Governo Federal.