Uma pesquisa recente divulgada pela Folha de S.Paulo revela uma mudança tectônica na percepção geopolítica da América Latina: a China ganha prestígio e reputação enquanto os Estados Unidos e a Europa perdem espaço. Esse fenômeno global encontra um laboratório vivo no Amazonas.

Foto: Divulgação
No coração da Zona Franca de Manaus (ZFM), a presença chinesa deixou de ser apenas a de fornecedora de componentes para se tornar proprietária de infraestruturas estratégicas e jazidas minerais essenciais para o futuro tecnológico.
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A desconfiança em relação aos Estados Unidos, impulsionada por percepções de intromissão em políticas soberanas durante administrações como a de Donald Trump, tem empurrado o empresariado e os governos regionais para um pragmatismo econômico.
Enquanto Washington foca em sanções ou exigências ideológicas, Pequim apresenta investimentos diretos. No setor eletroeletrônico e de duas rodas do polo industrial de Manaus, essa transição é visível tanto no faturamento quanto no controle acionário de grandes plantas produtivas.
Logística de Chancay e o novo eixo do Pacífico
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Um dos pilares dessa nova hegemonia é a revolução logística proporcionada pelo porto de Chancay, no Peru. Construído com capital majoritário chinês, o terminal cria uma “rota da seda” sul-americana que conecta diretamente o Amazonas ao mercado asiático via oceano Pacífico.
Para a indústria local, isso significa reduzir o tempo de transporte de insumos em até duas semanas, contornando a dependência histórica do canal do Panamá, zona de influência tradicional dos americanos. Essa eficiência logística reforça a competitividade do setor de componentes e eletroeletrônicos.
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Ao reduzir custos e prazos, a China não apenas vende o produto, mas garante o caminho pelo qual ele chega. Esse movimento é visto por especialistas como uma manobra de mestre no tabuleiro dos Brics, bloco que o Brasil integra e que agora articula mecanismos de financiamento e até moedas alternativas ao dólar para transações internacionais.
Mineração estratégica em Presidente Figueiredo
A influência chinesa também se estende para o subsolo amazônico. Em Presidente Figueiredo, a aquisição da Mineração Taboca por grupos alinhados aos interesses de Pequim marca uma nova era na extração de terras raras e estanho.
Esses minerais são o “novo petróleo” da economia verde e da indústria de alta tecnologia, fundamentais para semicondutores e baterias de veículos elétricos. O controle dessas reservas no Amazonas garante à China uma posição de vantagem na cadeia de suprimentos global.
Enquanto os EUA buscam limitar o acesso chinês a tecnologias de ponta, o governo chinês responde garantindo a matéria-prima na base da pirâmide. Para o Amazonas, o desafio é equilibrar a entrada desse capital com a preservação ambiental e o retorno social, garantindo que a riqueza gerada pela mineração e pela indústria não seja apenas exportada, mas sirva para consolidar o desenvolvimento regional.