Vinte representantes do movimento indígena do Amazonas foram escolhidos para participar da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima). A seleção ocorreu no segundo dia da 13ª etapa do Ciclo COParente, promovido pelo MPI (Ministério dos Povos Indígenas), no Centro de Formação Xare, em Manaus, no último sábado (20/09).

Foto: Divulgação
A seleção foi coordenada pela APIAM (Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Estado do Amazonas), que também terá um representante no evento. A divisão territorial considera as principais calhas dos rios do estado: Alto, Médio e Baixo Rio Negro; Baixo Amazonas e Baixo Madeira; Manaus e entorno; Alto e Médio Solimões e Vale do Javari; Alto e Médio Madeira e Purus. Cada região terá três representantes, exceto o Juruá, que terá dois.
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Além da representação territorial, foram selecionados representantes por setores específicos: mulheres (2), anciões e anciãs (1), juventude (1) e educação (1). Fundada em 14 de dezembro de 2022, a APIAM é uma das nove organizações de base da Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira) e reúne 19 organizações regionais distribuídas pelo Amazonas.
“Em relação à COP, nós a enxergamos como uma oportunidade para levar nossas vozes, estratégias e propostas. Queremos chamar a atenção do mundo, do Estado e da sociedade para que se juntem à nossa campanha. A resposta para a crise climática somos nós porque cuidamos da biodiversidade do planeta de nossos territórios com impactos positivos para a humanidade. Por isso, precisamos de nossas terras demarcadas e condições de viver nelas com a devida proteção e segurança. Defendemos a criação de fundo de financiamento direto para os povos indígenas seguirem com seu trabalho”, disse Maria Baré, da APIAM.
Maria Baré citou demandas prioritárias para os 66 povos indígenas do Amazonas, como financiamento direto pelos serviços ecossistêmicos que prestam, políticas públicas efetivas, planos de gestão territorial e ambiental e a demarcação de territórios.
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“Segundo o IBGE, temos aproximadamente 500 mil indígenas no Amazonas, sendo 75 mil só em Manaus, o maior número do país. Considerando os 347 territórios que temos no Estado, entre os de fato demarcados, delimitados e reconhecidos, temos 187 reivindicações que estão paralisadas” […], completou.
Ela também mencionou problemas estruturais, como saneamento básico precário, acesso limitado à água potável e a necessidade de fortalecimento da sociobioeconomia, saúde e educação para garantir permanência digna nas comunidades.
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Segundo a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), os desafios incluem o número insuficiente de recursos humanos, mineração ilegal, narcotráfico, tráfico de animais e extração ilegal de madeira. A instituição informa que investe em fiscalizações conjuntas com Ibama, Polícia Federal e Polícia Militar, além de projetos de sustentabilidade, turismo de base comunitária e planos de gestão territorial e ambiental para garantir a manutenção das comunidades.
A Funai atende 230 mil indígenas em 30 municípios e está subdividida em três estados: Amazonas, Pará e Roraima. Apenas em Manaus, há 45 Terras Indígenas demarcadas e 15 delimitadas por estudos da FUNAI, com cerca de 50 territórios ainda em reivindicação.